domingo, 29 de julho de 2018

APOTEOSE

APOTEOSE

Como em delírio de flor surjo apoteótica
Na inerte manhã reversa
Filha do meu próprio ventre...

Entre um repente real
E o resto em possibilidades
Brinco de plantar belezas...

Encanto pássaros e abelhas
E longe do muro escudo
Permito a contemplação...

Aos passantes sem destinos
Esteja o sol posto ou à pino
A cantar a fiel canção...

Tempo escasso ou contratempo
Navegando contra o vento
Sempre banco o meu festim...

E ante o amanhã possível,
Ou lacuna entre a paisagem
Não pago ágio nem grito...

Por capricho o chão rabisco...
Planto ao rastro o que se deu...
Um pouco do que fui eu...

Ana Maria Gazzaneo

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